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Uma tal de Administração

Bruno Ferrer

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Occupation:
Estudante de Administração, leitor sedento de livros da área e nos tempos vagos "escritor". Fora isso apenas um universitário carioca como tantos outros por aí.
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May 11

Faculdades ruins ou bem posicionadas?!

Lendo sobre a reportagem do Fantástico (sim, lendo, pois no domingo estava vendo meu time ser campeão) sobre a qualidade do ensino superior no Brasil, principalmente das instituições particulares, lembrei de outra reportagem mais antiga feita pelo próprio Fantástico, mostrando um analfabeto que havia passado no vestibular de uma instituição privada. Infelizmente são coisas que acontecem, mesmo que não devessem.

Porém o ponto que eu quero ressaltar é outro, não apenas falar sobre o fato de uma criança de 8 anos ter passado num vestibular, pois sobre isso a reportagem já falou. Ao nos depararmos com um fato desses não devemos perguntar somente porque e como isso aconteceu, devemos procurar as relações entre os fatos e seus fatores. O que essa situação reflete?

O ensino Superior no Brasil é atingido por uma pequena parcela da população, que possuiu condição de concluir o ensino médio e procurar uma faculdade. Nesse bolo temos na grande maioria alunos de escolas particulares, boas e ruins, mas que tem condições de pagar por um ensino que os levará a uma faculdade, seja um cursinho, aula particular ou somente a escola. Por outro lado temos também alunos de escolas públicas, com um ensino fraco, ausência de professores, pouca estrutura e quase nenhum estímulo, que alternaram escola e trabalho desde cedo ou cujos pais se submeteram a uma dupla-jornada de trabalho, para poderem ter a oportunidade de terminarem a escola e tentarem se tornar “Doutor”. Na bifurcação desses dois caminhos bem distintos temos as Faculdades, algumas boas e gratuitas, outras boas e pagas, outras ruins e pagas.

A bagunça acontece agora. Os alunos com condições de estudo (ou seja, dinheiro para um bom estudo) acabam entrando nas faculdades públicas, outros alunos desse mesmo grupo entram para as faculdades pagas e boas (e caras), e aqueles alunos “guerreiros” que sonhavam se tornar “Doutor” não vêem outra solução a não ser pagar por um ensino de baixa qualidade, porém, não abandonando o sonho antigo, pelo qual lutaram a vida toda. Já o mercado de trabalho segue a mesma linha. As empresas grandes e boas escolhem os candidatos a partir de um processo seletivo concorridíssimo, e selecionam os de faculdades que eles chamam “de primeira linha”. As empresas não tão boas, com remuneração não tão boa, mas que precisam de uma mão de obra especializada (com diploma e algum conhecimento sobre a área de atuação) contratam esses profissionais formados nessas faculdades chamadas de “segunda linha”, e no final alguns formandos dessas faculdades ficam sem emprego, assim como alguns formados nas boas faculdades também, caracterizando um antigo conceito do capitalismo, explicado por Marx, chamado de “Exército de reserva” (ou seja, mão de obra excedente para eventuais substituições).

O que acontece com a educação, assim como com qualquer mercado, é que os clientes (estudantes) possuem necessidades diferentes. Uns podem ter uma educação boa de graça, outros podem pagar caro por uma educação boa e outros aceitam ter uma educação ruim, pagando menos por isso, e saem felizes, já que é melhor ter um diploma “de segunda” do que não ter nenhum. Essas faculdades enxergaram uma demanda alta por esse terceiro tipo de cliente, e escolheram seu posicionamento.

Não defendendo essas faculdades, mas apenas dando um novo ponto de vista sobre a situação, acho que a função do MEC no meio disso tudo se equivale a função do INMETRO, que é garantir um padrão técnico mínimo de qualidade para seus produtos (ou seja, para o ensino nessas instituições). O resto fica por conta do mercado. Se a empresa ou cliente quiserem um funcionário/profissional de destaque eles devem oferecer mais a essa pessoa, compensando-a pelo seu esforço/dinheiro gasto para adquirir tal conhecimento. Já, se abrem mão da qualidade superior, e querem pagar menos, podem apenas contratar um profissional com as qualidades mínimas para realizar tal função (já escutei casos de pessoas que não passaram para um estágio em uma empresa, pois eram “muita qualificadas”). Pura lei de mercado.

Além disso, essas reportagens esquecem um fato muito importante. Não quer dizer que só porque alguém passou no vestibular que essa pessoa vai se formar. Nesse meio tempo que dura de 4 a 6 anos em média, muita coisa acontece, muitos não suportam a pressão, e desistem ou são expulsos. E isso acontece tanto nas faculdades de “primeira linha” como nas de “segunda linha”.

Enfim, acho um absurdo crianças de ensino fundamental passarem em um vestibular, acho ridículo alguns métodos de seleção para as faculdades, e acho insuficiente a postura do MEC no meio disso tudo. Porém, existe um lado que poucos tocam, e que também é muito importante. O país precisa de profissionais, tanto bons quanto não tão bons, mas que são melhores do que nada, e essas faculdades estão aí para isso. Uma Coca-Cola não é igual ao uma Sendas-Cola, um Uno Mille não é igual a uma Ferrari, uma UFRJ não é igual a uma Estácio de Sá, porém todos são produtos bem posicionados, e quem atendem prontamente as necessidades do seu público alvo.

April 10

Trabalhos!! Trabalhos...

Que estudante nunca teve que fazer um trabalho para a escola ou faculdade?! E geralmente isso é motivo de felicidade. Lógico, um trabalho é muito mais fácil do que uma prova, pelo menos quando se está no colégio. Leva mais tempo, mas não é preciso se matar de estudar, pode consultar a vontade, e tem sempre aquele amigo que vai fazer a parte dele... e a sua, a do outro e a de mais um do grupo. Ah, que beleza são esses trabalhos em grupo!

E na faculdade trabalho é o que não falta! Só que as coisas mudam um pouquinho. As pesquisas vão se tornando cada vez mais profundas, os temas mais trabalhosos, o grupo todo precisa ajudar e lógico, a apresentação tem que ser impecável, como se fosse uma aula sobre assunto. Nada mais razoável do que isso, afinal ao escolher essa carreira de Administrador o que o estudante mais vai fazer quando se formar (e até antes, nos estágios) é apresentar suas idéias, resultados e conhecimentos para um público, seja ele grande ou uma única pessoa. A faculdade serve como um belo laboratório para criar confiança e adquirir experiência para isso. Ah...que beleza são esses trabalhos em grupo.

Lidar com pessoas e conflitos e falar em público são duas coisas que você vai aprender bem durante esses (muitos) trabalhos feitos na faculdade. A primeira só se aprende na prática, não existem fórmulas e nem receitas, no máximo o que eu posso dizer é: não seja radical e procure motivar todos para realizar o trabalho, mas algumas vezes foi preciso ser radical e praticamente impossível motivar todo o grupo. É, bem difícil. Já a segunda é um pouco mais técnica, e algumas dicas podem ser aplicadas a praticamente todas as apresentações. Não existe uma receita, já que cada apresentação é uma situação diferente, porém existem pontos em comum que podem ser reforçados em todas as apresentações. Vou falar do que eu acho o principal, já os outros, deixo para uma próxima oportunidade.

O principal é o nervosismo. Sem meias palavras, é f... falar em público, e tem pessoas que morrem de medo só de pensar nisso (eu já fui uma delas!). Tudo gira em torno da confiança, e essa confiança só se ganha com a prática – já vejo muita gente chorando e arrancando os cabelos agora. Mas tem alguns fatores que ajudam bastante.

Primeiro: para uma boa apresentação o locutor deve ENTENDER e SABER sobre o que está falando. E caso você não seja um expert no assunto, estude bem a sua apresentação, leia alguns outros textos sobre o que você vai apresentar, procure informações que façam de você um mini-expert. Isso o deixará seguro na hora de falar e passará uma boa impressão para seu público.

A segunda dica é: planeje a sua apresentação. Lendo o livro “Paixão por Vencer” de Jack Welch, vi um trecho que se encaixa perfeitamente aqui, “Até para falar de improviso me preparo durante uma semana”.  O planejamento evita situações constrangedoras, que só o deixarão mais nervoso. Planejando tudo antes e treinando você estará no controle da situação!

Na essência, essas são as duas premissas básicas para uma boa apresentação. Lógico que existem outras técnicas de apresentação (muito eficientes, diga-se de passagem, e que valem a pena serem estudadas), mas aqui encontra-se a base para falar em público com sucesso. Domínio do assunto e planejamento da apresentação.

Bons trabalhos a todos! E tentem aproveitar o momento, uma hora vocês vão até gostar de estar lá na frente!

April 06

Gente, como o tempo passou!

Se o texto parecer estranho, tem um motivo, simplesmente não é meu. Andando entre um site o outro achei um bem interessante, com textos que valem a pena serem lidos, entre crônicas, acadêmicos e entrevistas. Escolhi esse em particular, já que a vida profissional de muitos está começando, assim no futuro não termos que falar "Ah, se eu soubesse...".

26/02/2008 Gente, como o tempo passou!
por Mario Persona

Quando é que um profissional deve mostrar seu lado humano? Sempre. Empresas são pessoas, mercados são pessoas, o mundo são pessoas. Hoje não vou falar de negócios, marketing ou carreira. Vou falar de vida, porque é a vida que importa. Fique agora com este pretenso poeta em "Gente, como o tempo passou!" ou "Auto-biografia em um minuto e meio".

Gente, como o tempo passou!
Parece - foi ontem? - que alguém me gerou?
Levou-me no ventre, chorou, me embalou;
Franqueou-me os seios, me deu de mamar,
Bateu em minhas costas, me fez arrotar.
Das fraldas não lembro, do cheiro então...
Só sei que de alguém eu já fui "o filhão".

Gente, como o tempo passou!
Ainda me lembro da primeira escola,
Do lápis, da régua, das provas, da cola;
Da camisa branca, joelhos raspados,
Da mãe que queria o pescoço esfregado.
Das bolas de gude, piões, patinetes,
Das tardes tão longas, das velhas charretes.

Gente, como o tempo passou!
Vieram os anos, os sonhos e amores,
O primeiro beijo, as mágoas, as dores;
Dilemas da alma, perguntas da vida,
Até que Jesus me livrou dessa lida;
E quando eu achava que era crescido
Descobri de novo que tinha nascido!

Gente, como o tempo passou!
Os filhos chegaram e eu tão ocupado,
Mal via que estavam ali, ao meu lado;
As contas, a casa, o ralo, o pedreiro,
A ponta do lápis contando o dinheiro;
Nem vi como foi que cheguei do outro lado,
Mas hoje eu sei: fui por Deus carregado.

Gente, como o tempo passou!
De repente estou lá na outra metade
Dos anos que tenho, da senda da idade;
Chegou o meu neto e ninguém nem falou
Que ia ser tão bom quando o tempo passou!
E quando alguém me diz "Parabéns, Mario!"
Dou conta que ontem, foi meu aniversário.

March 27

Estágio! Estágio! [2]

  

                                                          images              

 

A procura por estágio continua, e a essa hora ela já começa a surtir algum resultado. E-mails chegam convocando para uma prova, dinâmicas de grupo começam a acontecer e as respostas para uma entrevista estão surgindo no horizonte. É, todo aquele tempo que foi gasto preenchendo formulários on-line parece que está sendo recompensado, e agora o lugar ao sol está por vir. Se não fosse um detalhe, 100 fazem prova, 20 vão pra dinâmica, 5 são convidados para a entrevista, 1 consegue a vaga... O desafio ainda não acabou e nada está garantido.

A prova, apesar de ser a grande peneira do processo seletivo, é a parte mais tranqüila, ou melhor, a menos tensa. Ela vai medir apenas se você sabe português, matemática, mas sem nenhum grande desafio (exceto pra quem está concorrendo a uma vaga em banco ou instituição financeira!), inglês na maioria das vezes e uma redação, pra ver quem é capaz de escrever um texto coerente.

Já a dinâmica de grupo... É lá que a empresa vai realmente ver quem é a pessoa por trás da prova. Nessa fase é importante, mais do que atenção, tranqüilidade. Agir com naturalidade, ser espontâneo e falar bem sobre seus atributos é uma “tática” boa para não começar mal nessa etapa. Alguns tipos são comuns durante uma dinâmica de grupo, tem aquele que quer se mostrar 100% do tempo, falando qualquer coisa, mesmo que seja besteira (afinal, para ele o importante é falar e aparecer), mas aparecer parecendo idiota não é muito bom, não é? Outro tipo é exatamente o contrário, aquele que entra mudo e sai calado (é, também não é muito bom...sabe como é, se você não fala ninguém vai saber como você é). Fora esse tem quem não força a personalidade e geralmente se dá bem.

Bem, a entrevista... Essa eu deixo os detalhes pra depois, mas a intenção dela é o gestor conversar com o provável futuro estagiário dele e ver se os perfis de cargo, empresa e candidato combinam, e lógico para o futuro chefe ter aquele “bom pressentimento” sobre você...ou não ter. Ah, e aqui também é recomendável calma, muita calma (na medida do possível, né).

March 23

Networking: bonito nome não é?!

 

Quem entrou agora na faculdade de Administração ou começou a ler sobre o assunto ainda vai ver muito essa expressão. E quem a vê pela primeira vez se assusta e acha que é mais algum termo inventado por algum guru da administração e começa a imaginar o que significa ou a decorar definições de livros, “Networking é a capacidade do administrador se relacionar com clientes, fornecedores e colegas de trabalho.”*. Na verdade é por aí mesmo. Networking é a sua rede de conhecimentos que possibilita fazer seu trabalho, e é algo que construímos desde que somos crianças. Aquele pessoal que você andava no colégio, jogava bola e ia às festas...formavam o seu Networking. Ninguém joga bola sozinho, ninguém vai a festas sem conhecer ninguém ou sobrevive ao colégio (de forma saudável, se assim posso dizer) ficando isolado no intervalo. Do mesmo jeito nenhum administrador exerce seu trabalho sem conhecer outras pessoas do ramo.

O que o torna tão recorrente em assuntos dentro da área é a importância que tem na administração. Essa é uma carreira que envolve, além de todos os conhecimentos técnicos, a capacidade de se relacionar e conhecer pessoas. A troca de informação, experiências e conhecimento é essencial para qualquer administrador, e grande parte disso só se adquire através dos relacionamentos.

Uma das coisas boas sobre isso é que não é necessário cursos, workshops e palestras para começar a formar o seu networking, quer dizer, você não precisa aprender como formar uma rede de relacionamentos, mas eventos como esses ajudam bastante a conhecer pessoas da sua área que podem se tornar bem necessárias no futuro. Basta ser amigável e simpático, e preservar os relacionamentos que você já construiu para formar a sua rede. Ah, professores e amigos de faculdade são peças fundamentais para isso, afinal os professoras têm uma experiência vasta e já estão dispostos a dividi-la com você, e o pessoal da sua faculdade está passando pelas mesmas coisas que você, e nunca se sabe, um deles pode virar o próximo Chiavenatto!

* a definição não foi retirada de nenhum texto ou livro, serviu apenas para ilustrar um exemplo do texto.

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